Amamentar é coisa de…

Amamentar é coisa de pobre. É, sim.
Amamentar é coisa de rica. Também.
Amamentar é coisa de índia. De africana na tribo. De esquimó.
De modernete em Berlin. De nova-iorquina vestindo Prada. Francesa na vinícola. Dinamarquesa, islandesa, grega, chinesa, uzbeque. Na Mongólia, entre camelos. Brasileira que desce a ladeira.
Cabelo assim, cabelo assado, cabelo descabelado. Sem cabelo.
Olho azul, violeta, castanhos, furta-cor.
Duas pernas, ou nenhuma.
De quem vive, de quem é sobrevivente.
Muçulmana, católica, evangélica, judia, budista, xintoísta, atéia.

Amamentar é coisa de empregada doméstica. De über-model, médica, atriz, professora, escritora, funcionária pública, artista de circo, CEO, veterinária, bombeira, jornalista, ativista. É coisa de soldado americano.
Amamentar é coisa, inclusive, de homem. Que nasceu com cromossomos de mulher.
Amamentar é coisa de quem tem tetas, mamas ou seios. Dois, mas pode ser um. Grande, pequeno, bico pra fora, bico invertido, com ou sem concha de silicone. Com ou sem prótese de silicone.

É coisa de quem luta, e consegue ou não. Com ou sem sonda de relactação, translactação, realeitamento. É coisa até de mães adotivas (viva a indução da lactação!).

Amamentar é também coisa de pai. De avó. De tia, vizinha, obstetra, pediatra, cabeleireira, babá, lojista, garçom. Funcionário público, bancário, taxista. De empregador, de colega de trabalho. É coisa de quem cuida de quem está amamentando. De quem sabe o poder do apoio, do incentivo e do não julgamento.

Amamentar é coisa de quem se preocupa com a saúde. Das crianças, das mães. Das próprias, das alheias. De quem vê no contato entre mãe e bebê o valor de um tesouro.

Amamentar é sempre coisa de quem ama.

E no amamentar, a experiência da humanidade na carne. Matar a fome, a sede, nutrir, mas também matar a saudade do que nos é mais ancestral e quem nem sabíamos que estava lá, nos esperando. Para nos unir a todas através dos milagres do corpo.

E no entanto… haters gonna hate. Enquanto isso, duas legislações recentes, uma municipal e outra federal, dão uma força às mães e bebês. A primeira multa estabelecimentos paulistanos que impeçam a amamentação em público. A segunda regulamenta a publicidade e a rotulagem de produtos com potencial de interferir negativamente na amamentação. Notícias alentadoras num mar de mediocridade…

KONICA MINOLTA DIGITAL CAMERA

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Sobre Cidade dos Meus Amores

Meu nome é Bruna. Médica com residências em pediatria e psiquiatria, imigrei para a Alemanha em 2009 e, desde o nascimento do meu filho, em 2011, virei uma mãezona orgulhosa e contente com minha cria. Sonho com um mundo onde as crianças sejam levadas sempre em conta, ou seja, em que cada ação e escolha nossas, nos perguntemos: isto é bom para o mundo em que quero que meu filho viva? Estou segura de que esta é uma estratégia ética infalível para que construamos cidades mais humanizadas e relações humanas mais transparentes e honestas.
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