Ciclistas do futuro

Leio ontem que a Prefeitura de São Paulo pretende gastar R$ 15.000.000,00 para construir uma ciclovia no canteiro central da Av. Paulista.

Ainda que eu fique me perguntando se é preciso gastar tanto para fazer esta obra e o quanto ela efetivamente impactará o transporte urbano e desafogará o trânsito – e por quem ela realmente será utilizada -, ao que parece, levando em conta o que é possível captar de tão longe pela internet, as ciclovias vieram para ficar.

Procuro na internet informações sobre o número de ciclistas na cidade: segundo uma pesquisa do IBOPE de 2013 (que foi feita com apenas 805 entrevistas), há cerca de 450 mil pessoas que usam suas bikes todos os dias ou quase; e outros dois milhões as usam de vez em quando. Não é o meio de transporte preferido dos paulistanos (ao contrário – está em último lugar), porém tampouco se pode afirmar que estas pessoas devam ser ignoradas em suas demandas. (O que não se pode fazer, porém, é vender a ideia das ciclovias como parte importantíssima e urgentíssima da solução para o caos do trânsito desta cidade. Não é.)

As ciclovias são tentativa de oferecer um pouco de segurança aos aventureiros sobre duas rodas que percorrem as ruas de São Paulo. A meu ver, sua principal função é chamar a atenção dos motoristas para a existência destes equilibristas que se esgueiram no meio da fumaça e do barulho dos motores. Porém tudo ainda é muito novo, tanto para quem dirige quando para ciclistas, e o risco ainda é grande. Descubro que a CET oferece cursos gratuitos sobre segurança e legislação para quem pretende pedalar por aí – porém uma ação maciça de atualização sobre cuidados a se tomar nas ruas dirigida para os MOTORISTAS não foi vista ainda.

viaduto_cha_alineos

No entanto, em tempos de promoção da saúde e sustentabilidade (demorou!), esta é uma boa hora para se pensar no futuro e considerar que as crianças de hoje eventualmente serão ciclistas amanhã. E que irão pedalar ao lado de carros e ônibus (oxalá, principalmente estes) nas megalópoles brasileiras. A hora de começar a ensiná-las é AGORA.

Isto não significa, claro, jogá-las numa ciclovia da Av. Rebouças aos seis anos de idade numa segunda-feira de manhã. Aos poucos, porém, passeando no parque num domingo, elas podem ser ensinadas não só a pedalar, mas a observar os outros participantes do tráfego e a se proteger: usar o capacete, avisar quando for fazer uma curva, atentar aos sons que a envolvem, fazer contato visual com outros ciclistas /pedestres /skatistas…  Aqui na Alemanha, onde se começa a andar de Laufrad (uma bicicletinha sem pedal…) na rua por volta dos dois anos, é possível aprender bastante sobre este assunto – vou dividir com vocês em outros posts como preparar nossos filhos para uma vida sobre duas rodas.

Num futuro que eu ainda gostaria de ver, até as crianças usarão as ciclovias – com toda a segurança – em São Paulo. E nas outras grandes cidades do Brasil. Por enquanto, porém, a linda imagem que ilustra este texto continua sendo um momento de sonho, como se um rasgo no tempo a tivesse roubado de um dia que ainda não chegou – mas que, torçamos, virá. Seria bom se fosse logo.

Foto tirada e gentilmente cedida por Aline Os (valeu!)

http://www.nossasaopaulo.org.br/portal/arquivos/apresentacao-pesquisa-mobilidade-urbana-2013.pdf

http://www.cetsp.com.br/consultas/educacao/cursos/condutores/pedalar-com-seguranca.aspx

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Sobre Cidade dos Meus Amores

Meu nome é Bruna. Médica com residências em pediatria e psiquiatria, imigrei para a Alemanha em 2009 e, desde o nascimento do meu filho, em 2011, virei uma mãezona orgulhosa e contente com minha cria. Sonho com um mundo onde as crianças sejam levadas sempre em conta, ou seja, em que cada ação e escolha nossas, nos perguntemos: isto é bom para o mundo em que quero que meu filho viva? Estou segura de que esta é uma estratégia ética infalível para que construamos cidades mais humanizadas e relações humanas mais transparentes e honestas.
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